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Vila Real // Reflexos de um Palácio Por: Patrícia Posse / Secção: O Olhar / 27-06-2008 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Patrícia Posse
As fachadas barrocas, protegidas por muros verdejantes, deixam adivinhar a imponência de um Palácio encoberto. Ainda assim, é a imagem reflectida no extenso espelho de água que mostra o recorte perfeito do edifício.

Em completa harmonia com a natureza envolvente, a Casa de Mateus é uma referência incontornável na cidade de Vila Real, seja pelo valor arquitectónico e paisagístico, seja pelo fervilhar cultural que por lá se fomenta. Traçado pelo arquitecto Nicolau Nasoni, o Palácio de Mateus foi edificado no princípio do século XVIII e está hoje firmado como um dos expoentes máximos da arquitectura civil do Barroco em Portugal, a comprová-lo o império de balaustradas e pináculos na fachada principal. Classificado como Monumento Nacional em 1911, pertence, actualmente, ao conde Fernando de Albuquerque. Uma das imagens de marca do Palácio é o espelho de água que se estende a seus pés, rodeado da mata de castanheiros e carvalhos. Construído nos anos 50, reflecte, de forma perfeita, o edifício. Nos cerca de 1500 metros quadrados do lago, repousa a escultura de uma mulher, cuja autoria pertence a João Cutileiro. Ao pisar o átrio do Palácio, a perspectiva atravessa as antigas cavalariças e oferece um misto verdejante como ponto de fuga. Antes de aceder ao piso nobre pelas escadarias simétricas, a Casa das Batatas e a antiga adega exigem uma visita. O espólio deste monumento está intimamente relacionado com a biografia da família, como se denota no tecto do salão de entrada, onde ao centro está o brasão vigiado pelos candeeiros que pendem. Propriedade da Fundação da Casa de Mateus desde 1970, o Palácio integra mobiliário de diferentes épocas, pinturas dos séculos XVII e XVIII e objectos de prata e de cerâmica. “A nossa principal preocupação é ter a Casa sempre impecável”, afirmou o administrador José Carlos Fernandes. No interior, os tectos trabalhados em madeira de castanho e o admirável estado de conservação dos móveis e objectos originais exacerbam as atenções. Um pormenor marcante é o facto da decoração com molduras de tremidos ser comum a muitas peças de mobiliário. Um dos compartimentos mais importantes é a biblioteca, que guarda uma edição única em pergaminho d’ Os Lusíadas, datada de 1817. “Há três anos, os cerca de cinco mil livros foram digitalizados e encadernados. Da parte do arquivo, o meio milhão de documentos foi digitalizado e está agora a ser indexado”, explicou José Carlos Fernandes. Nas salas do Museu, um vasto espólio religioso, desde paramentos, relicários, cálices e escapulários. Contíguo ao edifício senhorial, a capela construída em 1750 reúne também um acervo riquíssimo, com peças que pertencem à família desde o século XVII. Com uma equipa de 30 pessoas, que trabalham diariamente na Casa, há um pendor significativo da actividade agrícola, nomeadamente o cultivo de vinha. As prioridades da Fundação passam pela aposta ao nível da vinha e pela reformulação da visita, no sentido de “mostrar mais para que todas as pessoas que nos visitam possam sair daqui completamente satisfeitas e com vontade de voltar”, afirmou o administrador. Actualmente, as visitas guiadas ao interior do edifício duram uma hora e são feitas em grupos com um máximo de dez pessoas. Sónia Matias é uma das guias da Casa de Mateus e garante que “é sempre muito positiva” a impressão que fica nos visitantes. “Ficam mais impressionados com a arquitectura interior, com a decoração dos tectos.” No ano passado, cerca de 77 mil pessoas visitaram o Palácio, sendo metade proveniente do estrangeiro. “Este ano estamos com a mesma média de visitantes de 2007, sendo uma percentagem muito alta de franceses, que aproveitam para visitar o Douro e vêm até cá”, avançou José Carlos Fernandes. Ainda que conste em qualquer guia turístico, facto que atrai os visitantes estrangeiros, a Casa de Mateus é pouco procurada pelas pessoas da região. “A maior parte dos vila-realenses não conhece e o público português que a visita é oriundo dos grandes centros urbanos, sobretudo de Lisboa”, afirmou Sónia Matias. As escolas são também uma presença assídua.

Região descobre a maravilha

Em 2007, o Palácio de Mateus esteve nomeado para a eleição das 7 Maravilhas de Portugal, o que veio contribuir para “um aumento considerável do número de visitantes”, lembrou Sónia Matias. A nomeação veio trazer um novo ímpeto turístico, sobretudo a nível regional. “Foi uma publicidade muito forte em termos televisivos, o que fez com que muita gente da região se desse conta de que a Casa de Mateus existia e que muita viesse pela primeira vez visitá-la”, frisou José Carlos Fernandes.

Elos culturais

O Palácio de Mateus tem desenvolvido uma intensa actividade cultural, designadamente nas áreas da música, da literatura e das artes plásticas, através da organização de exposições, festivais, cursos e seminários. Desde 1980 que a Casa de Mateus instituiu o Prémio D. Dinis, que todos os anos distingue um vulto da literatura portuguesa. Agustina Bessa Luís, Vergílio Ferreira, José Saramago, Eugénio de Andrade, António Lobo Antunes e António Pires Cabral são alguns dos escritores que já receberam o galardão. Este ano, será entregue a Manuel Alegre pelo livro “Doze Naus”. As salas e os jardins acolhem uma panóplia de concertos: desde o canto à ópera passando pelo piano, guitarra, jazz e fado. Uma casa também de artistas Há uma década que a Casa de Mateus abre as portas aos artistas, disponibilizando onze quartos duplos e várias salas de trabalho. Contudo, a residência de artistas tem “uma procura muito pequena”. “Infelizmente não tem a adesão que nós gostaríamos que tivesse, porque a nível nacional não está muito incutido esse espírito e o que temos tido é tudo estrangeiros”, acrescentou José Carlos Fernandes. Os projectos têm que ser desenvolvidos no prazo de quinze dias a meio ano, sendo os custos de alojamento suportados em grande parte pelos próprios artistas. O responsável pela Casa de Mateus adiantou que se está a estudar a continuidade do projecto ou a possibilidade de o completar com uma Escola de Artes e Ofícios.

Geometria desenhada no verde

Pelos jardins românticos, a cadência musical dos pássaros imiscui-se com o sossego de quem por lá passeia, com vagar. Das camélias gigantescas à brancura dos jarros, a vista serpenteia por entre o verde até repousar na fraca luminosidade do túnel de cedros. José Fernandes conta que as pessoas ficam bastante admiradas com o “autêntico túnel natural” que desemboca numa escadaria que dá acesso aos vinhedos. Iniciados na década de 1930, os jardins podem ser visitados livremente para descobrir os canteiros florais e percorrer os terraços adjacentes. Além das sebes curvilíneas, a geometria delineia-se nos verdes sinuosos, culminando na representação do escudo de armas da família Mateus. A frescura do ar mistura-se com as réplicas da água gorjeada pelo pequeno repuxo. Espalhados por este refúgio vila-realense, os bancos aguardam pela companhia dos que, no silêncio, partilham pensamentos ou segredam palavras.

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3 Comentários Feed

eu · escreveu em 01-07-2008 às 11:27:28
depois de uma leitura rápida, devo dizer que: estou a caminho do palácio...
eu1 · escreveu em 31-01-2009 às 14:38:40
Adorei e passei a saber mais sobre o palacio de mateus
eu2 · escreveu em 08-05-2009 às 14:32:45
É lindooooooooo!!!!!!
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