Página Inicial | Quinta-Feira, 29 de Julho de 2010

Diocese de Bragança-Miranda // É necessário Por: Ana Preto / Secção: Igreja / 11-03-2010 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Preto
Em Ano Sacerdotal, Clero da diocese reuniu em Assembleia-geral para reflectir o exercício desta vocação

D. António Montes, Bispo da Diocese de Bragança – Miranda, considera que é preciso melhorar “em geral, a qualidade” do ministério sacerdotal. “O padre tem que estar disponível, agora essa disponibilidade, às vezes, é um bocado difícil de concretizar, num quadro em que o trabalho é muito, um padre tem que atender a muitas aldeias”, afirmou ao Mensageiro, após a Assembleia-geral do Clero diocesano que teve lugar no passado dia oito, no Seminário de S. José, em Bragança. Outro aspecto que é necessário melhorar, segundo o prelado, é a celebração da liturgia. “Temos de celebrar a liturgia de uma forma bela e digna. Tem havido um grande esforço nesta matéria, mas é necessário prosseguir nessa linha. Um padre tem que ser um Bom Pastor. Isto é uma definição já dada por Jesus, mas depois cada um tem que concretizar, nas situações da sua vida, e é preciso melhorar sempre”, sublinhou D. António Montes Moreira. Para o Con. Adelino Pais, Vigário da Pastoral, responsável pela organização desta Assembleia, um dos objectivos fundamentais da reunião foi, precisamente, “a sensibilização dos nossos padres para o valor do seu Ministério, do serviço que eles realizam, que é em benefício da Igreja e da comunidade”. Numa primeira análise, o Con. Adelino apontou como resultado deste encontro uma reflexão que cada sacerdote irá fazer acerca do que foi dito na Assembleia. “Depois esperamos que a nível de encontros, de acções de conjunto, quer seja entre os sacerdotes, quer seja dentro das próprias comunidades, que isto que aqui foi dito vá sendo reflectido e posto em prática”, explicou. A Assembleia-geral do Clero não se realiza já há alguns anos. Habitualmente, D. António Montes realiza quatro reuniões anuais do clero por zonas da diocese. Desta vez, e a propósito do Ano Sacerdotal, considerou-se útil “fazer uma espécie de exame de consciência e reflexão sobre a vida dos sacerdotes da diocese”, disse D. António Montes, que considerou excelente o nível de adesão do clero. Ao todo participaram 59, contando com a presença de sacerdotes que pertencem a institutos religiosos, 2 diáconos permanentes e 2 diáconos, que se preparam para o sacerdócio. A diocese tem 67 párocos, mas, contando com os padres dos institutos e dois de outras dioceses, são 72. As conclusões da Assembleia-geral vão ser elaboradas pela Vigararia da Pastoral e apresentadas Quinta-feira Santa (no próximo dia dois de Abril), data em que os sacerdotes de toda a diocese renovam as suas promessas sacerdotais na Missa Crismal, na Catedral de Bragança. A Assembleia-geral decorreu mediante alguns painéis de discussão, como: o Ministério dos sacerdotes na Liturgia; Ministério da Diaconia, ou serviço prestado pelo sacerdote ao povo de Deus e Ministério ao serviço da Comunhão, a Koinonia. “O fundamental foi o primeiro painel”, no qual se discutiu o que é ser padre. Um padre é “um Ministro de Cristo que deve ser um dia Ministro de Deus. Implica que as atitudes e o modo de ser do padre façam transparecer a sua dimensão. O padre é em primeiro lugar um homem, é um cristão, e depois tem que ser padre na sua qualidade de homem, de cristão”, concluiu D. António Montes.

Diminuição do número de padres resulta também da diminuição da população

O Bispo diocesano apontou que um dos principais constrangimentos à melhoria da qualidade do Ministério Sacerdotal é o grande número de paróquias entregues a cada padre. Neste momento, o presbitério diocesano é constituído por 97 sacerdotes, mas, por motivos de idade e saúde, só 67 estão a paroquiar, o que implica que cada padre tenha muitas aldeias por sua conta. A situação é considerada por D. António Montes como não satisfatória, mas também não catastrófica. “Nos últimos dez, 15 anos, tem havido um número de padres satisfatório”, explicou, acrescentado que, a média de idades dos párocos em exercício é de 60 anos. D. António Montes não atribui, sobretudo, a falta de párocos à falta de vocações, mas ao fenómeno geral de despovoamento que se abate sobre toda esta região. “Agora há menos ordenações, porque também há menos população”, referiu. Apesar de não ter feito a estatística em números concretos, o Bispo diocesano considera que, se compararmos o número de habitantes e o número de padres no distrito, há 40 anos, com o número de habitantes e de padres, actualmente, a proporção deve ser, “mais ou menos equivalente”. “O seminário tem poucos alunos, mas as escolas também”, sublinhou. Ao nível das vocações, “o problema não se resolve do ponto e vista propagandístico. Não se arranjam mais vocações por uma pastoral feita em termos de marketing. É preciso que seja elevado o nível de vida cristã nas nossas famílias e nas nossas paróquias, para que dentro desse contexto possam surgir vocações”. Segundo D. António Montes, o objectivo da Pastoral Vocacional não é arranjar mais candidatos. “Em primeiro lugar, um cristão tem que estar bem consciente que a vida é uma vocação e depois há uma diversificação das respostas dadas: a vocação matrimonial, sacerdotal, religiosa”. É essa a consciência do que é ser cristão, que é preciso trabalhar.

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