Página Inicial | Quinta-Feira, 29 de Julho de 2010

Distrito de Bragança // Ser mulher “é mais difícil” Por: Ana Preto / Secção: Actual / 11-03-2010 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Preto Governador Civil com as mulheres que apresentaram o seu testemunho
Testemunhos de sucesso afiançam que é possível chegar “ao topo”, mas não sem enfrentar dificuldades superiores às dos nascidos homem

O Governo Civil de Bragança lançou um concurso que pretende distinguir mulheres de sucesso do distrito, a atribuir no próximo dia Internacional da Mulher, a oito de Março de 2011. Este ano, a data foi também assinalada por esta entidade, que reuniu mulheres que já se distinguem por terem conseguido vencer em meios tipicamente masculinos. Estas mulheres deram o seu testemunho e confirmaram que ser mulher e profissional, não é só diferente do que ser homem, é mais difícil. Em primeiro lugar porque é difícil conciliar a vida profissional e familiar. A maioria das mulheres trabalhadoras têm dupla jornada de trabalho. Depois, existem outras, inerentes a um mundo em que as mulheres ainda estão à conquista do seu lugar e do seu novo papel social. “Se houver um homem ou uma mulher em igualdade de competência, a tendência é para escolher o homem. A mulher tem que ser mais competente que o homem”, afirmou Maria de Fátima Rodrigues, assessora do Conselho de Administração da ANA - Aeroportos de Portugal e da AINER, e professora da Universidade Lusófona, onde criou uma licenciatura única no país em Gestão Aeroportuária. Já chefiou o serviço de operações do Aeroporto de Lisboa, o que, no início causou alguma “desconfiança” daqueles que teve sob a sua chefia, mas foi só ao início. Natural de Edral, no concelho de Vinhais, de uma família “remediada”, veio estudar para Bragança, de onde seguiu para Lisboa. Hoje é um exemplo de mulher bem sucedida, tanto na vida profissional, como familiar. Outro exemplo é Berta Nunes, a primeira presidente de uma câmara municipal no distrito de Bragança. Contou que sempre foi boa aluna (normalmente a melhor, a nível nacional) e sempre teve objectivos claros e definidos que alcançou. Não sem dificuldades, que teria mesmo sendo homem, acrescidas de outras que teve, sendo mulher. No entanto deixou um testemunho de que, “as mulheres conseguem atingir todos os lugares, todos os objectivos. Épreciso é acreditarem nelas próprias e persistir”. A presidente da Câmara Municipal de Alfandega da Fé não deixou, no entanto, de se congratular pelo marido que tem, cuja mentalidade está aberta a uma maior exposição pública do seu par e também a ajudar nas tarefas domésticas. Essa ajuda, essa partilha da segunda jornada de trabalho, é fundamental para que as mulheres atinjam a paridade e, ao mesmo tempo, a taxa de natalidade aumente, ou, no mínimo, não continue a diminuir. Para isso, Maria de Fátima Rodrigues considera que não são necessárias mais leis, mas um trabalho na evolução cultural que, parte, desde logo, da educação dos filhos. Lurdes Morais, que trabalha numa empresa de formação e consultadoria, não teve assim tanto apoio do marido. Foi das primeiras mulheres a vencer no mundo do associativismo comercial e, após o divórcio, simplesmente as suas duas filhas “tiverem que crescer mais rápido”. Actualmente, esta profissional está desenvolver um trabalho cujo objectivo é ajudar mulheres a criarem as suas próprias empresas. Apesar de tudo, já muita coisa mudou. Maria de Fátima recordou os tempos de Liceu, em Bragança, onde havia um professor que lhes dizia, à turma das meninas, que deviam era ir para casa, “aprender a coser meias e a descascar batatas”. No mesmo Liceu estudou Balbina Mendes, a pintora que deu o exemplo da criança que trabalhava nos campos, na aldeia de Malhadas, de onde quis sair, para estudar e alargar horizontes, mas onde sempre volta, se não de outra forma, através da sua pintura. A perspectiva do trabalho voluntário, em que muitas mulheres estão envolvidas, foi dada por Lurdes Gonçalves, da Associação Protectora dos Animais de Bragança.

Concurso feminino

Apesar de muito se ter alcançado, na última década, em questões de paridade entre géneros, ainda é necessário fazer mais alguma coisa. Por esse motivo, o Governo Civil lançou o concurso que “se pretende venha a reconhecer a actividades das mulheres, no âmbito desportivo, cultural, político, social, no âmbito do voluntariado, entre outros”, explicou Jorge Gomes, o governador. As propostas para concurso podem ser apresentadas por entidades ou grupos de cidadãos. Um júri irá avaliar e seleccionar as premiadas. O prémio é, sobretudo “simbólico”, e tem como objectivo “ reconhecer o papel da mulher na sociedade”. As propostas devem ser apresentadas ao Governo Civil até 31 de Dezembro do corrente ano.

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