Página Inicial | Quinta-Feira, 29 de Julho de 2010

. // Uma Madeira exemplar Por: Calado Rodrigues / Secção: Editorial / 07-03-2010 Imprimir Enviar a um amigo

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Este ano está a ser terrível em catástrofes naturais. Ainda mal nos acabamos de recompor de uma, logo outra nos entra pelas casas adentro, através dos meios de comunicação do ano. O mês de Janeiro ficou marcado pelo terramoto no Haiti. No mês de Fevereiro foi a tragédia da Madeira e mais um terramoto no Chile. Multiplicaram-se as iniciativas de solidariedade para com estes três pontos do globo. A mais aflitiva foi, de facto, a do Haiti. Há quase 25 anos que esse país atravessa uma profunda crise política, com vários golpes de estado e conflitos armados que têm contribuído para o tornar num dos países mais pobres do mundo. Desde 2004, a ONU controlava o país com uma missão liderada pelo Brasil. Tal como os outros países, sofreu os efeitos da crise internacional, com a subida dos preços, que provocaram diversas rebeliões e protestos da população. No ano passado foi fustigado por furacões e tufões que ainda debilitaram mais a, já problemática, situação do país. O terramoto veio pôr a nu todas as fragilidades do país e lançou o país num caos profundo do qual demorará a recuperar. Bem diferente é a situação do Chile, um país já habituado a este tipo de fenómenos. Mas, mesmo assim, ainda se viram alterações da ordem pública, com assaltos e pilhagens, a estabelecimentos comerciais. Em alguns casos à procura de bens essenciais, noutros foram verdadeiros roubos, que estão a ser reprimidas pelas forças da ordem. Contudo, viu-se outra serenidade e outra capacidade em enfrentar as adversidades causadas pelas forças da natureza. De entre todas as situações, talvez a menos dramática tenha sido a da Madeira. As vítimas e os estragos provocados pelas enxurradas não atingiram os números e as cifras dos terramotos naqueles países, mas é a situação que mais preocupa e mais tocou todos os portugueses. Foram nossos concidadãos que perderam a vida, viram destruídas as suas casas e ir pela água abaixo os bens conquistados com uma vida de trabalho. É a situação mais próxima de nós, e que nos veio recordar que estas tragédias não acontecem só aos outros, mas também nos podem bater à porta. Apesar da dimensão da tragédia na Madeira, com dezenas de mortos e milhões de euros de prejuízo, foi extraordinário o testemunho que os madeirenses nos deram. Não ficaram a olhar para ontem, mas imediatamente arregaçaram as mangas e fizeram das tripas coração para restituir à Pérola do Atlântico o brilho e o esplendor anterior à catástrofe. O Presidente do Governo Regional foi o primeiro a apelar a que não se enveredasse por um discurso miserabilista, rejeitou a declaração de calamidade pública, temendo os efeitos que poderia provocar no turismo, uma das principais fontes de receita da ilha. Quinze dias depois da catástrofe, muitas das lojas já abriram na baixa do Funchal e, contrariando os media, os madeirenses esforçam-se por passar uma imagem de regresso à normalidade possível. Entretanto, da parte do Governo da República, bem como das instituições europeias, já foi manifestada a disponibilidade para ajudar a Madeira a voltar a ser um Jardim.

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