Página Inicial | Quinta-Feira, 29 de Julho de 2010

Bragança // Lar residencial quase a funcionar em pleno Por: Ana Preto / Secção: O Olhar / 26-02-2010 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Preto
Obra Social Padre Miguel espera que até ao final do ano as 39 vagas disponíveis no lar residencial estejam ocupadas

O lar residencial da Obra Social Padre Miguel foi construído com o propósito de ajudar à sustentabilidade das diversas componentes de apoio a nível social que a Obra tem em curso. Com o lar social a funcionar desde o Verão, o lar residencial, não comparticipado pela Segurança Social, abriu apenas em meados de Dezembro e, apesar de não ocupado, de imediato, tal como aconteceu com o lar social, as perspectivas de que durante este ano esteja a funcionar em pleno são boas, segundo Vera Afonso, a directora técnica. “Temos já 35 por cento da taxa de ocupação preenchida, o que é bom. Também há muita procura. As pessoas têm vindo conhecer o serviço, as instalações e penso que será preenchido facilmente”, explicou Vera Afonso, ao Mensageiro. Neste momento a resposta de ocupação não é a mesma que o social, que antes de abrir já tinha mais inscrições do que vagas disponíveis. No entanto, actualmente, o número de pessoas que vai conhecer o espaço é semelhante ao que vai conhecer o lar social. O que acontece é que “as pessoas, às vezes, ponderam mais a entrada para a instituição, porque, se calhar, também têm melhores recursos habitacionais e melhores condições em casa e, por isso, adiam cada vez mais a vinda para a instituição. Mas, pela procura e pelas visitas que vêm, temos a ideia que não demorará muito para podermos encher”, sublinhou a responsável. Existem actualmente várias possibilidades para a utilização do serviço, desde a aquisição do direito de utilização vitalícia da suite até à renda partilhada. Nesta modalidade, que torna o serviço mais barato, duas pessoas podem partilhar uma suite. Para garantir certa privacidade, a habitação é dividida pelos respectivos roupeiros. Existe ainda uma modalidade destinada a pessoas que necessitam de estar numa instituição durante um certo período de tempo, após terem tido alta hospitalar. Os serviços, para essas pessoas, desde que haja vaga, estão disponíveis por um período máximo de seis meses. Nesta modalidade, apesar de o pagamento ser diferenciado, os idosos não necessitam de pagar a jóia de associado. O lar residencial está também aberto a outras pessoas que, sem estarem a fazer reabilitação, precisarem de ficar numa instituição durante um curto período de tempo. Composto por 26 suites com casa de banho, varandas privativas e área de estar, a capacidade máxima do lar residencial é de 39 utentes. Este lar funciona à semelhança de um hotel e tem um serviço de restaurante, no qual existe uma ementa mensal. As pessoas podem optar por servirem-se dessa ementa, ou então podem pedir a lista e solicitar, no dia anterior, outra refeição que não a que consta da ementa. Por outro lado, o restaurante está aberto aos familiares dos residentes, que queiram partilhar refeições naquele espaço.

Serviços partilhados

Com a construção do lar privado, a ideia da direcção da Obra Social Padre Miguel sempre foi conseguir recursos para dar mais sustentabilidade e mais qualidade da prestação de serviços à parte social. “Foi com esse intuito que a direcção quis construir um lar privado, seja através da partilha de equipamentos, ou técnicos”. Os serviços na parte residencial como os da parte social são prestados por uma equipa multidisciplinar. Esta é composta por psicólogos, assistentes sociais, sociólogos, enfermeiros, um médico voluntário, fisioterapeuta, animador sociocultural, com vertente de educação física e gerontólogo. “Esse leque de profissionais estão sempre à disposição dos nossos utentes de acordo com as necessidades e expectativas que eles manifestam, ou o apoio que necessitem”, sublinhou Vera Afonso. Além dos recursos humanos, existe também a partilha de outros serviços, como a piscina coberta, polidesportivo, o ginásio e salão de cabeleireiro. Alguns destes serviços ainda não estão totalmente disponíveis. A piscina, por exemplo, um dos equipamentos mais solicitados pelos idosos, ainda não tem corrimão, mas em Março deverá estar pronta a funcionar, em pleno. Também o ginásio está ainda a ser equipado. “Como foi um investimento privado da instituição, não houve apoio externo, do Governo, é claro que andamos ainda a equipar alguns serviços”, explicou a responsável. “A partir de Março, penso que já estará tudo operacional”, acrescentou. Neste momento, está já em funcionamento a fisioterapia de manutenção.

Lar Social a funcionar a cem por cento Já antes da abertura, o lar social, com capacidade para 60 utentes, tinha uma lista bastante grande de pessoas que queriam ir para a instituição que encheu logo no primeiro mês. “Podíamos abrir outro com a mesma capacidade”, afirmou Vera Afonso. No primeiro mês foi feita uma entrada faseada, para os colaboradores conhecerem os idosos, as suas necessidades e expectativas, e também para os funcionários se adaptarem às novas instalações e fazerem formação necessária à prestação dos diferentes serviços. Neste momento a lista de espera mantém-se, mas a necessidades são por vezes diferentes. “Há pessoas que se inscrevem a pensar no futuro. Há casais e pessoas sozinhas que vêm por iniciativa própria inscreverem-se e que não querem já uma vaga, mas estão a pensar que amanhã podem ficar mais dependentes, mais debilitados e querem vir. Por outro lado, há casos de urgência, de pessoas que estão em cuidados continuados, e que vão ter alta e a família não consegue dar o suporte necessário”.

Creche para 66 crianças até aos três anos

A resposta da Obra, a nível social, no edifício construído em terrenos situados junto à estada para o Santuário de São Lázaro, inclui também uma creche, para 66 crianças. “São na verdade duas creches, cada uma de 22 crianças, temos uma totalmente preenchida e já temos a outra a iniciar-se”, referiu a directora técnica. A abertura deste serviço, em Setembro de 2009, altura em que a maioria dos pais tinham que ter já a situação resolvida relativamente ao lugar onde iriam deixar os seus filhos, não foi favorável a que a capacidade esgotasse, desde logo. “Mas, entretanto, excedeu as nossas expectativas. Terminámos o ano de 2009 já com uma creche totalmente preenchida e iniciámos o 2010 já com algumas inscrições”. A maior procura é para o berçário, estando já os dois a funcionar por completo. Em Maio abrem as novas inscrições e deverá abrir mais uma sala de crianças a partir de um ano. A creche é apoiada pela Segurança Social e qualquer pessoa pode inscrever os seus filhos. O pagamento é conforme os rendimentos do agregado familiar. A creche procura adaptar-se às necessidades dos pais. Começou por abrir das 8h00 às 19h00. Actualmente, e devido às solicitações dos pais, abre às 7h45 e fecha entre as 19h15 e as 19h30.

Outros serviços

A obra continuou com serviços que já prestava antes da abertura do lar social e do lar residencial, como o apoio domiciliário, o centro de dia, o centro de acolhimento temporário e o refeitório social. Ao nível do apoio domiciliário a ajuda da Segurança Social permitiu que obra aumentasse significativamente o número de vagas. Antes tinha capacidade para apoiar 30 idosos, depois passou para 50 e, actualmente, pode prestar apoio a 64 utentes. “Ainda temos algumas vagas que estão a ser preenchidas. Estamos, neste momento, a fazer um trabalho de terreno, a identificar casos sociais que estejam necessitando de apoio”. Começam também a surgir solicitação em algumas aldeias, que ainda não têm cobertura social, a este nível. A Obra irá avaliar se será possível estender o apoio domiciliário para fora da cidade. “A princípio as pessoas inscrevem-se para o lar e, como não há vaga, solicitam algum tipo de apoio. Estamos a estudar a possibilidade de podermos também prestar esse serviço em algumas aldeias que não têm nenhum centro social que possa prestar apoio”. Na sede, situada junto à Escola secundária Miguel Torga, continua também em funcionamento o serviço de alojamento temporário, para seis utentes, que acolhe pessoas quando estas não têm para onde ir, que estão numa situação de emergência. Aí funciona também o refeitório social e o centro de armazenamento e distribuição de recursos. Segundo Vera Afonso, a procura deste refeitório, bem como a procura de bens essenciais que são doados à instituição, tem crescido. Actualmente, há pessoas que viviam “remediadamente” mas, devido a situações de desemprego, numa idade já um pouco avançada, se defrontam com dificuldades pelas quais não pensavam passar. Se, no refeitório social, são servidas refeições aos mais carenciados, no centro de armazenamento e distribuição, são recebidos bens, como roupa, calçado e géneros alimentícios, e depois distribuídos a pessoas em situação de pobreza.

Empresa de inserção

Além de tudo isto a Obra Social constituiu uma empresa de inserção social, que produz produtos agrícolas nos terrenos contíguos ao lar residencial e lar social. Nesses terrenos é cultivada batata, abóbora, cenoura e diversos legumes. Toda a produção é consumida pelos refeitórios da Obra Social. “A produção acaba por ser toda consumida por nós, porque fazemos muitas refeições diariamente. Tem sido uma ajuda boa para a instituição e também para as pessoas que empregamos”. Neste momento a empresa emprega oito pessoas, cinco das quais apoiadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e outras três que fazem já parte do quadro. Estes já passaram pelo período dos dois anos e neste momento são suportados pela instituição que, ao todo, conta com 65 funcionários, a trabalhar nas diferentes valências. Com o aumento do número de utentes, “este ano, vamos fazer uma produção maior, para ajudar alguns desempregados e também a própria instituição”. Em fase inicial está a plantação de um pequeno pomar que, no futuro, se espera, venha a dar fruto.

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2 Comentários Feed

Jorge Gonçalves · escreveu em 13-03-2010 às 01:27:16
Noticia bem construida, mas com todo o sentido de promoção e de publicidade sobre esta instituição, mas algumas das situações são pura ficção.
Fátima Silva · escreveu em 12-07-2010 às 20:53:49
Quando li esta página pela primeira vez, andava eu a tentar localizar um casal de idosos que "levaram para Bragança". Nunca mais esqueci este comentáriro do Sr. Jorge Gonçalves e a fotografia onde é bem evidente a satisfação e, ou ocupação dos utentes. Mais tarde, e porque o referido casal se encontra neste Lar, para além de vir a saber que o senhor piorou depois de ter sido "retirado" da sua casa, onde pretendia sair apenas quando fosse para a "morada final", onde vivia ultimamente apenas com a cunhada, mas eram carinhosamente tratados, cuidados pela empregada que só ia lá da parte de tarde, pois para "alguém muito esperto" não havia necessidade de ir todo o dia (claro a herança iria diminuir). Cheguei a telefonar várias vezes, desde Abril, mas só me foi permitido falar com a senhora D. Emi. A.C. três vezes, pois entretanto, foram proibidas a passagem de telefonemas e visitas ao casal não só pela familiar do senhor que se encontra acamado, e "tutora por conveniência" da Sr. D. Emi.A.C., bem como por parte da Direcção. Note-se que esta informação foi dada por várias pessoas que atendiam o telefone e a outras pessoas que também tentaram contacta-los. Apesar de haver Leis, que infelizmente têm que existir para quem não as cumpre, no sentido de proteger os idosos do isolamento e ou chantagem psicológica de que são muitas vezes vítimas é inaceitável que as próprias instituições ou alguém dentro delas, seja cooperante com estas situações.
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