Página Inicial | Sexta-Feira, 10 de Setembro de 2010

Alto Tâmega // Vila Pouca de Aguiar preocupada com subida da cota da barragem de Gouvães Por: Frederico Correia / Secção: Actual / 18-02-2010 Imprimir Enviar a um amigo

Perante a possibilidade de não se construir a barragem de Padroselos, em Boticas, sobe a cota de Gouvães, em Vila Pouca de Aguiar. Este cenário coloca três povoações com "os pés dentro de água"

Desde o passado dia 10, estão disponíveis para consulta pública os Estudos de Impacte Ambiental (EIA) das quatro barragens a serem construídas no Alto Tâmega. Depois da descoberta de uma colónia de mexilhões ter colocado em causa a edificação da retenção de Padroselos, em Boticas, a solução, para compensar a concessionária espanhola Iberdrola, que já pagou mais de 300 milhões ao Estado, passa por aumentar a cota de Gouvães, em Vila Pouca de Aguiar. Se o primeiro cenário já não era do total agrado do autarca aguiarense, Domingos Dias, o segundo é ainda menos: “os malefícios ambientais são muito grandes”. Por isso será pedida uma audiência com a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro. Não se adivinha fácil a luta para levar por diante o Plano Nacional de Barragens proposto por José Sócrates ainda no decorrer do mandato anterior. Primeiro, o surgimento de uma colónia de 12 mexilhões de uma espécie em vias de extinção no rio Beça, afluente do Tâmega, foi motivo para se equacionar a não construção desta barragem. Agora, parece ser a alternativa para compensar a não edificação em Boticas. A solução, face a um possível impedimento de deslocação da colónia, passará por aumentar a cota da barragem de Gouvães (no rio Tordo), em Vila Pouca de Aguiar, mantendo-se as restantes do Alto Tâmega, em Vidago, e a de Daivões, em Ribeira de Pena (ambas no rio Tâmega). Vila Pouca de Aguiar é “molhada” por três destas quatro barragens e, se antes questionava os “malefícios” consequentes pela subida das águas, perante o novo cenário de subida da cota de Gouvães, o autarca já avançou para a elaboração de um estudo paralelo ao actual para “comprovar” as informações do EIA. “Há problemas complicados com a realização das barragens, nomeadamente com a contaminação de águas, com inutilização de solos e consequentes condicionantes à própria agricultura desenvolvida no concelho”, enumerou Domingos Dias. Para o presidente da Câmara aguiarense, este plano está a ser um autêntico quebra-cabeças, pois, apenas foram apresentados “contras” e não são vistos os “benefícios” directos para a população até ao momento. “Não é fácil a construção destes empreendimentos sem uma grande interferência em termos ambientais, por isso, os benefícios para a população terão de ser claramente superiores aos malefícios”, reiterou o autarca. Perante este cenário, segundo Domingos Dias, em Vila Pouca de Aguiar, vivem-se momentos de “preocupação e estupefacção”. Não é para menos, garantiu, já que pelo menos as populações de Gouvães, Povoação e Carrazedo do Alvão ficam com grande parte, se não mesmo a totalidade, dos seus terrenos agrícolas inundados. “Ficar fora de água sem nada para fazer, apenas com a sua casa, não me parece bom”, ironizou Domingos Dias, antes de simplificar: “grande parte do planalto do Alvão vai ficar inundada”. A juntar a todos estes factores de penalização, o autarca atirou ainda mais dois pontos para a discussão. A Rede Natura 2000 e o território do Lobo Ibérico, este último causador de desvios no traçado da Auto-estrada 24, serão agora “afectados” pela subida das águas. Perante isto, Domingos Dias lembrou que, ainda antes de 14 de Abril, data em que termina o prazo de consulta pública, o seu executivo pretende ser recebido no Ministério do Ambiente. “Será uma audiência para nos podermos pronunciar sobre este processo”, explicou. Um dos pontos que o município aguiarense quer ver assegurado antes do início da construção do empreendimento são as “contrapartidas”. Recorde-se que esta posição já tinha sido manifestada pelos seis municípios da sub-região do Alto Tâmega (Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar) em Julho, pedindo investimentos com os mais de 300 milhões pagos pela concessionária a Portugal. O Programa Nacional de Barragens representa um investimento de 1700 milhões de euros e estima-se que vai criar cerca de 3500 postos de trabalho directos e dez mil indirectos. O EIA está acessível até 14 de Abril nas câmaras de Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Boticas, Chaves e Cabeceiras de Basto, nas 26 juntas de Freguesia abrangidas pelo empreendimento, na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), no Porto, e na Agência Portuguesa do Ambiente, Lisboa.

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