Região // O Douro ao sabor da brisa Por: / Secção: O Olhar / 04-02-2010 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Percorrer o rio num barco à velaUma ideia genial, afirmarão uns, de loucos, responderão outros, mas todos concordarão que é também “original e arrojada”. Colocar um veleiro com mais de dez metros de comprimento e mastro com 14 de altura está apenas ao alcance de quem vê no gosto pelo rio e pela náutica uma oportunidade de negócio. O Libertu’s, com António Pinto ao leme, sobe e desce o Douro, entre Caldas de Aregos, em Resende, e Peso da Régua, desde Agosto do ano passado. A história do Rio Douro há muito que conhece a arte de navegar à vela. Recordem-se os tempos em que os barcos rabelos, transportando aquele que viria a ser rotulado como Vinho do Porto, deixavam a segurança da terra vinhateira e enfrentavam de dentes cerrados e de coragem aguçada um rio de manha e, por vezes, descontrolado, para atracar nas cave de Vila Nova de Gaia. Aí se baptizava o néctar com o nome da Invicta, aquele que era o produto de uma gente, o sustento de uma região. Agora, os tempos são de renovada esperança e de oportunidade para o Douro. Que o diga António Pinto, natural de Lamego, que cedo abandonou as raízes e se fez à vida. No entanto, o regresso esteve sempre presente no pensamento e à espreita da primeira oportunidade. O ano de 2009 proporcionou-lhe isso mesmo, uma razão, um motivo, o ambicionado regresso. Com o gosto pelo rio que nunca esqueceu, acompanhado da experiência náutica que a vida lhe deu, o Skipper do veleiro Libertu’s decidiu montar o seu próprio projecto empreendedor na região. “Com paixão pelos barcos e pelo rio e tendo já um veleiro, num belo dia surgiu a ideia: porque não levar o veleiro ao Douro?”, recorda António Pinto, ao mesmo ritmo com que guia o seu Libertu’s. Aos amigos contou os planos, que depressa assumiram a “loucura” como resposta. Porém, a persistência levou-o a atracar o seu veleiro, mais do que um objecto, uma espécie de bem pessoal de extrema estimação, nos cais de Resende e Peso da Régua. “Sou aficionado pelas minhas raízes. Que posso fazer?”
O silêncio da beleza
O conceito de apreciar o Douro a partir do rio não é único e, já há muito, os cruzeiros se enquadram no programa turístico. Mas o “Douro à Vela”, como se chama o projecto de António Pinto, pretende ser diferente. “Estamos no rio sim, mas em silêncio”, começa por explicar. “Para desfrutar da beleza é preciso silêncio e a bordo de um veleiro nós encontramos o silêncio total.” Restrito o passeio a um grupo de seis pessoas, o Skipper vê neste ponto uma das maiores vantagens. É uma forma “intimista”, como gosta de descrever, para momentos de “sossego, convívio”. Mas também há programas a dois. “Essa é uma oferta especial, porque há momentos e locais plenos de sedução, em que fazer parar o tempo é quase sonhar acordado.” E o Douro é isso mesmo, um misto de sensações, onde o máximo proveito está à distância apenas da imaginação. “O grupo, desde que entra no barco até que sai, desfruta o Douro de uma forma intimista e mimado não só pela paisagem, mas pela actividade singular”, realça António Pinto.
Por água ou por terra
Limitado a um percurso de 25 quilómetros, dadas as dimensões do barco e as suas contrariedades perante as pontes de Mosteirô e de Peso da Régua, o empresário decidiu que a oferta não se ficaria apenas pela água. Às três horas de viagem ao ritmo de uma ondulação compassada e ritmo de brisa, o Douro à Vela coloca também à disposição roteiros por terra. “O Douro é muito mais do que um rio, por isso pensámos que um conjunto de roteiros a partir do barco poderia ser uma mais-valia.” Para isso, António Pinto deixa o leme e segura-se ao volante guiando os turistas a locais onde, em sintonia com a mais antiga região demarcada do mundo, se conhece muito mais do que apenas paisagem. “Podemos levar a conhecer a história, com o Museu do Douro, oferecer cultura, com os Teatros, e podemos apresentar os mecanismos para o fabrico do vinho através das quintas. Podemos dar mais tempo e oferta ao turista”, atira o Skipper. Em suma: “não é, somente, mais uma subida de barco”.
Ajudar na afirmação
É no factor “mais tempo” que se situa o interesse desta nova oferta turística. A parte difícil de trazer o veleiro ao coração do território duriense está ultrapassada, mas falta agora consolidar aquele que é um projecto “inovador e que fazia falta ao Douro”. Com a crescente afirmação da região como de potencial turístico e económico, faltam indiciar os pontos de interesse, reter os turistas mais do que somente duas noites e guiá-los por um território que certamente poucos conhecem verdadeiramente. “Faltam actividades de animação local e esta pode bem ser uma mais-valia”, destaca António Pinto. Quem tem ajudado a impulsionar a região é a Entidade de Turismo do Douro que depressa se associou ao projecto, tendo nele a referência da “inovação” pela qual terá de primar a oferta turística da terra duriense. Mais dias, mais cooperação entre todos os agentes turísticos é o que se pede. Por isso, este empresário procura rentabilidade para o seu projecto, oferecendo como contrapartida a rentabilidade aos seus parceiros. “É preciso cooperação”, sublinha. Esta é mesmo uma das ideias mais proclamadas nos últimos tempos: “é preciso unidade”. “É o que se sente, mas, como se diz em termos náuticos, ainda há muito a navegar para chegar ao porto da unidade”, adverte António Pinto. Para o empresário, este será mais uma “actividade ao dispor do Douro e das unidades hoteleiras, que podem proporcionar esta oferta aos seus turistas”. A vantagem será a possibilidade e os visitantes ocuparem mais uma noite na região e ultrapassar a actual média de dormidas. “Não é esta uma oferta para massas, mas, se conseguirmos com esta actividade que um grupo de turistas fique mais uma noite ou um dia no Douro, é muito bom.”

3 Comentários
Valia a pena ir pelo menos até à Valeira.
Saúdo esse homem do Douro e que o bom dinheiro que possa ganhar se fique cá por cima, porque se também vai pelo rio abaixo....ora bolas.