Vila Real // O 25 de Abril “visto” a partir do interior Por: / Secção: Cultura / 19-01-2010 Imprimir Enviar a um amigo
Livro de Joaquim Sarmento, cuja acção decorre na região do Douro, apresentado por António Martinho“A revolução de António e Oriana” , um romance “vivido” em terras durienses na época da “Revolução dos Cravos” em Portugal é a mais recente obra publicada de Joaquim Sarmento, escritor natural de Lamego. O livro foi apresentado, no Auditório da Biblioteca Dr. Júlio Teixeira, em Vila Real, no passado dia 15.
Segundo o autor, esta obra destina-se a todas as gerações e procura dar a conhecer “o que foi de facto a revolução de 25 de Abril em 1974” do ponto de vista do Interior “que sabe sonhar, mas que não tem poder”. O escritor dedicou este trabalho a Maria de Lurdes Pintassilgo, porque esta sempre foi “uma voz ardente e incómoda na luta pela cidadania” e a Ernesto Melo Antunes pelo papel desempenhado na “contenção dos extremismos e na solidificação da democracia”.
Joaquim Sarmento, que se assume como “filho do Douro”, destacou a importância de Virgílio Ferreira na sua vida literária, mas não deixou de enaltecer a sua consideração por escritores como Eça de Queiroz, Miguel Torga ou António Pires Cabral. Segundo ele, a literatura, como forma de cultura, é o melhor campo para ultrapassar as barreiras sociais, políticas e económicas existentes. António Martinho, destacou igualmente o papel desempenhado pelos escritores transmontanos e durienses na afirmação da região. Segundo o responsável do turismo duriense, é necessário transpor para o leitor nacional “a forma como aqui (no Interior) se vê o mundo e, neste caso, o mundo português dos anos 74 e75”, tendo em vista a expressão da região no panorama nacional.
António Martinho, o presidente da Turismo do Douro, fez a apresentação da obra com a leitura de algumas passagens. António Martinho referiu, ainda, que o povo transmontano sabe “reconhecer o valor dos seus escritores” e enfatizou a importância do Grémio Literário na formação de públicos.
O escritor natural de Lamego corroborou esta ideia num momento em que sente que “as pessoas começam a valorizar as obras” da sua autoria e, por isso, assumiu-se motivado para continuar a escrever.
Ao longo da sessão, os presentes puderam visionar um documentário sobre a vida de Joaquim Sarmento e ouvir diversos excertos do livro. Um dos momentos altos do evento foi a interpretação de dois fados de Amália Rodrigues e de duas canções de Zeca Afonso, pela filha do escritor, Helena Sarmento. Neste evento, marcou também presença António Pires Cabral.

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