Douro // Tempo de modernizar para competir Por: / Secção: Actual / 14-01-2010 Imprimir Enviar a um amigo
Sistema de incentivos para requalificar e aumentar oferta turísticaNuma altura em que tanto se fala de oportunidades, a região do Douro vive mais uma. O Pólo de Competitividade e Tecnologia – Turismo 2015 pretende maior qualificação, inovação e modernização das empresas que planificam na área turística. Para o responsável pela Entidade de Turismo do Douro (ETD), António Martinho, estes são tempos de “aproveitar” para a região duriense poder cumprir os seus objectivos. Pela primeira vez, o Ministério da Economia disponibilizou, em exclusivo, para sector do turismo 31 milhões de euros. Para a região Norte, estão destinados três milhões, com mais 4,5 resultantes da Estratégia de Eficiência Colectiva. No total, 7,5 milhões terão um papel fundamental para o equilíbrio do território no que toca ao sector e ajudar a manter a linha de crescimento registada no Douro. O Sistema de Incentivos à Inovação, do Turismo 2015, tem abertas as candidaturas até 1 de Fevereiro e pretende ajudar à criação ou requalificação de novos estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos turísticos ou parques de campismo, sempre com quatro ou cinco estrelas. Como requisitos está que estes novos projectos garantam factores diferenciadores em relação à oferta já existente, resultem da adaptação de património cultural edificado classificado, ou então, no caso específico do Douro, que se encontrem inseridos no Produto Estratégico “Gastronomia e Vinhos”. Para o responsável pela ETD, este terceiro ponto, relativo às quintas com turismo rural, é sinónimo de que esta é mesmo uma oportunidade para a região. “Se damos tanta importância ao turismo rural e precisamos de aumentar o número de camas, é óptimo um sistema de incentivos que considera esses espaços como enquadráveis.” Esta necessidade de reclassificar a oferta existente e garantir mais para as quatro ou cinco estrelas é notória quando se analisa a região. Actualmente, nos cerca de quatro mil quilómetros dos 19 concelhos pelos quais se estende a região demarcada duriense, há apenas um hotel de cinco, três de quatro e outros três de três estrelas. No total, há cerca de 3200 camas, mas todas disponíveis em cerca de um quarto do território. Uma assimetria que se tem de corrigir e este poderá ser o momento olhando para as características durienses. “Estamos numa região que tem uma vasta monumentalidade e precisamos de aumentar o número de camas e reconverter alguns estabelecimentos, por isso, esta é a oportunidade que o Douro tem de saber aproveitar”, explicou António Martinho.
Carga burocrática atrapalha
Conhecedor dos problemas que se têm imposto perante novos projectos, António Martinho vê nos muitos processos burocráticos um “atrofio”. Por isso, a solução terá de ser a de “apresentar projectos com taxas de aprovação e com tempo suficiente para depois responder às cargas burocráticas”. Quem partilha da opinião da morosidade de processos é Delfim Mendes que, até ao final de 2010, pretende ver concluído o seu hotel de quatro estrelas em Lamego, o Delfim Hotel. Com apenas 28 quartos aprovados, o empresário gostaria de ver acrescidos mais 14. “Estamos muito limitados, porque temos de passar por muitas entidades, muitas burocracias. Na área de hotelaria, é mais difícil projectar aqui do que no Sul”, confidenciou o empresário, que tem ainda negócios em Angola e Moçambique. O novo hotel responde já aos desafios para a região impostos pela linha do anterior Governo num investimento de oito milhões de euros, que vai criar mais de 20 postos de trabalho. Segundo este empresário, há ainda muito a fazer para a região eclodir. Sob o seu ponto de vista, Delfim Mendes considerou ser necessária maior animação. “As autarquias têm de se envolver mais, criar zonas de lazer à beira-rio e potenciar a diversão, por exemplo, com bares.” Também para a vertente da animação surgem neste projecto incentivos para empreendimentos que se configurem como âncora para a dinamização e procura ou para actividades de natureza ambiental, desportiva ou cultural.
Douro em ascensão
A região duriense, segundo António Martinho, está agora na liderança da taxa de dormidas durante os fins-de-semana no território continental. “A taxa consolidada da ocupação de camas até Outubro mostra que apenas a Madeira está à nossa frente no território português. Mas, durante a semana, estamos a meio da tabela, em quarto ou quinto lugar”, analisou. Assim, urge a necessidade de contrariar a tendência dos visitantes partirem antes de iniciar a semana, ou comecem a chegar antes à região. Estes números já traduzem a “batalha” com a tendência sazonal das visitas, mas é preciso subir a média de 1,4 noites por semana, para as duas. A juntar a estes números, o responsável pelo turismo no Douro quer ainda que seja feita a contabilização das dormidas dos barcos hotel que atravessam a região.

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