Rio Corgo // Poluição na foz com o Rio Douro preocupa Por: / Secção: Actual / 07-01-2010 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Associação ambientalista Quercus alerta para o encanamento do rioAssociação ambientalista Quercus alerta para o encanamento do rioOs ambientalistas aproveitaram a divulgação dos últimos resultados de 2008 pelo Instituto da Água (INAG) sobre a qualidade dos rios portugueses para destacar os 12 piores classificados, nos quais se encontra a foz do Rio Corgo, em Peso da Régua. A Quercus defende “mão pesada” e maior fiscalização e também aponta o “encanamento” dos percursos de águas como factor para os maiores índices de poluição concentrados, mas também para as habituais cheias no Rio Douro.
Os resultados foram apenas divulgados em finais do ano passado e chegam quase com um ano de atraso. No entanto, são estes os indicadores que permitem classificar a água dos rios e traz preocupações aos ambientalistas. Carla Graça da Quercus explicou que as causas podem ser “várias” como a prática industrial ou a poluição difusa resultante da agricultura. “Há um grande nível de poluição que derivada dos pesticidas usados na actividade, que depois se infiltram no solo e terminam no curso do rio.”
As práticas agrícolas parecem ser mesmo o factor mais provável para a poluição registada na foz do Rio Corgo, afluente do Rio Douro e que nasce em Vila Pouca de Aguiar e passa por Vila Real. Os índices de oxigénio são o parâmetro mais comum nestas avaliações, sendo que a sua pouca quantidade é significado de uma pior qualidade.
Embora no caso do Rio Corgo não estejam em causa barragens, a ambientalista aponta as retenções de água como um dos factores de degradação da qualidade. “A pressão das barragens, por norma, alteram a qualidade dos rios, porque retêm grande parte da água que se concentra a montante do rio e quando é escoada não se encontra nas melhores condições.” O Rio Douro é para Carla Graça uma preocupação, pelos anunciados empreendimentos hidroeléctricos para o seu curso.
Além das barragens, os rios registam ainda elevados parâmetros de poluição quando vêem os seus caudais diminuir. Em alturas de menos chuva, os leitos ficam curtos e os índices poluentes são mais notados. A causa para o exagerado emagrecimento dos caudais, segundo a ambientalista, é o que chama de “tentativa de domesticar os rios”. “Temos tendência a encanar os rios com margens de betão, por motivos como a construção de estradas, e isso provoca a impermeabilização dos solos. Mas é a sua capacidade de reter água nas margens que se torna indispensável para depois alimentar os rios”, explicou.
Por isso, além de recomendar uma maior vigilância e fiscalização às actividades poluentes, Carla Graça aponta a reflorestação das margens dos rios como uma solução à necessidade de garantir uma maior capacidade de infiltração dos terrenos próximos dos rios. Se por um lado este factor permite que os leitos dos rios sejam mais abundantes em épocas de quentes, previne também os actuais transbordos dos grandes rios. “Se mantivermos grande capacidade de infiltração nas margens dos pequenos rios, eles vão enviar menos água para o rio onde desaguam”, explicou Carla Graça. No caso do Corgo, ajudava a diminuir o risco de cheias provocadas pelo Rio Douro.

2 Comentários
Será ele o responsável das cheias na Régua ou o controle das barragens de Carrapatelo e Crestuma/Lever para "proteger" Porto e Gaia ?