Página Inicial | Quinta-Feira, 29 de Julho de 2010

Bragança // Associados para trabalhar a “Educação Emocional” Por: Ana Preto / Secção: O Olhar / 20-11-2009 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Preto
Conceito de “inteligência emocional” surgiu na década de noventa do século XX. Em Portugal, a educação das emoções está ainda numa fase incipiente. Em Bragança foi criada uma Associação Internacional que tem como espírito de missão realiz

Inteligência emocional ou competências emocionais são dois conceitos pouco divulgados, ainda, em Portugal. Em Bragança, no entanto, um grupo de investigadores da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico, juntamente com outros interessados da comunidade académica e grupos profissionais da cidade, do país e do estrangeiro, criaram uma Associação cujo objectivo é desenvolver trabalhos de investigação e divulgação científica, na área da inteligência emocional. Chama-se PAIDEIA – Plataforma Aberta, Associação Internacional para o Desenvolvimento da Educação Emocional. A Associação tem sede na Escola Superior de Saúde de Bragança, mas vai desenvolver trabalhos a nível nacional, estando ligada a associações congéneres de outros países, sobretudo Espanha. Augusta Branco, professora da Escola Superior de Saúde, investigadora em inteligência emocional desde 1996, tendo publicado já diversos estudos, costuma deslocar-se a Espanha, com frequência, para participar em Seminários e Congressos. No âmbito de uma dessas deslocações, foi-lhe sugerido o desenvolvimento de um evento científico na área da inteligência emocional. Dessa sugestão, e com o propósito de congregar num núcleo específico, o conjunto de investigadores já existentes, nasceu a PAIDEIA.

Investigação científica em inteligência emocional

A Associação foi fundada no dia 10 de Julho do corrente ano, na véspera de se realizar o primeiro Seminário Internacional em Inteligência Emocional em Bragança, que teve lugar no auditório Alcídio Miguel, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTIG), que contou com a presença de investigadores portugueses e espanhóis – da Universidade de Barcelona – bem como professores da ESTIG e da ESSA. Segundo Augusta Veiga Branco, eleita, por unanimidade, Presidente da Direcção da PAIDEIA, o principal objectivo da Associação será promover acções de Educação Emocional e produção científica sobre inteligência e competência emocional. “Nós comprometemo-nos com o desenvolvimento de trabalhos de produção científica, com o desenvolvimento de projectos nas áreas da saúde e educação, nomeadamente em criar propostas para implementar no terreno medidas emergentes dos resultados de investigação científica”, explicou a professora. Ou seja, além de desenvolver trabalhos de investigação, os membros da PAIDEIA irão promover acções de formação, colóquios, congressos e seminários que servirão não só para divulgar a investigação realizada, mas também para que essa produção sirva propósitos concretos, melhorando a vida afectiva das pessoas. A Associação conta com investigadores de todo o país e estrangeiro e o trabalho a realizar envolverá vários parceiros, como o Personalidades, associação que tem um carácter educativo e de atendimento psicológico, no Porto; com o Centro de Investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; com o Neurobios, núcleo de investigação em neurociência, situado no Porto, entre outros.

Educação Emocional para profissionais, estudantes e população em geral

Um dos objectivos, no próximo ano, será alargar as acções de formação que já decorreram, embora sem um carácter sistemático, destinadas a professores. Note-se que Maria Augusta Veiga Branco desenvolveu todo o seu percurso de investigação, na área das competências emocionais em pessoal docente, tendo desenvolvido diversos trabalhos de investigação e publicado vários livros sobre esta matéria. “O meu doutoramento foi nessa área. Estudei uma população de 464 professores, ao nível do distrito, e isto emergiu da produção de 32 conferências e seminários na área da Educação Emocional, com o apoio do SPZN e Pró Ordem de Professores, entre 2003 a 2005, realizados nas escolas básicas e secundárias de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Miranda do Douro”. Entretanto já havia realizado o mestrado, cujo trabalho de investigação incidiu sobre competências emocionais em professores do Ensino Superior, também no distrito de Bragança. Às escolas, educadores, formadores e outros interessados nestas acções de formação, que irão desenvolver-se de forma mais sistemática, é feito o apelo de contactem a Associação. As acções deverão também ser alargadas a outros grupos profissionais, nomeadamente enfermeiros – já que nove dos fundadores são enfermeiros – ou quaisquer outros trabalhadores na área da saúde, trabalhadores ou interventores sociais, educadores, empresários e todo o tipo de profissionais em geral. Outros dos objectivos da PAIDEIA é desenvolver estas acções para estudantes, desde que sejam jovens adultos. Neste momento ainda não existem pessoas na PAIDEIA qualificadas para trabalhar na Educação Emocional com crianças, o que poderá acontecer, a curto, médio prazo. No âmbito do projecto de produzir trabalho em Educação Emocional para estudantes, a PAIDEIA propôs-se aderir à Rede Nacional de Associações Juvenis, no sentido de apresentar projectos nessa área, o que lhe permitirá aceder a financiamento por parte do Instituto Português da Juventude, para fazer formação para jovens.

Objectivos da Educação Emocional

Segundo Augusta Veiga Branco, o objectivo fundamental da Educação Emocional é “fazer com que as pessoas se sintam mais satisfeitas com elas próprias, mais felizes”, e tenham consciência de que essa felicidade não vai, no entanto, “cair do céu”. “A gente vai à procura da felicidade e, se não a encontramos, não podemos ir queixar-nos à autarquia. É um caminho nosso. Somos os autores de nós e das nossas estradas. Todos os dias encontramos pessoas que estão mais bem dispostas… menos bem dispostas, que conseguem gerir melhor ou pior os seus afectos. A finalidade última da PAIDEIA é que cada ser humano possa encontrar na Educação Emocional um recurso pessoal, a capacidade de aprender progressivamente a desenvolver competências emocionais”. O conceito de inteligência emocional foi utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos, na década de 80, por Peter Salovey e John Mayer e apresentado posteriormente por Daniel Goleman, ao grande público, no seu livro “Inteligência Emocional”. Augusta Branco explicou ao Mensageiro que o conceito clássico de inteligência emocional, segundo os teóricos, se caracteriza, sumariamente, por cinco capacidades: a auto-consciência (capacidade que cada um tem de conhecer-se a si próprio), a gestão de emoções (capacidade de gerir afectos, fazer face a situações de medo, culpa, hostilidade, raiva, fúria, cólera), a auto-motivação (como cada um consegue lidar com as dificuldades do dia-a-dia), a empatia (capacidade de percepcionar o que o outro está a sentir) e a gestão em grupos. Recentemente estas cinco foram sendo diluídas em três. “Lembro-me dos nossos colegas de Barcelona, que não falam tanto em inteligência emocional, mas em competências emocionais, e nestas competências, aludem ao auto-conhecimento, à gestão das emoções e gestão de conflitos. O que eu estudo, é, mais precisamente, também, as competência emocionais”, explicou a professora.

Importância para a competitividade empresarial e económica

A questão da inteligência emocional tem sido considerada por alguns gestores de recursos humanos, em algumas organizações, como potenciador da produção individual dos colaboradores. Essa tendência, pouco explorada, vai ao encontro daquilo que vem defendendo a comunidade científica, e que aparece cada vez mais na bibliografia disponível, quer a nível nacional, quer internacional. “Em Barcelona, no congresso internacional realizado no início deste ano, falou-se das Organizações Emocionalmente Inteligentes: são as organizações cujos gestores se preocupam com as motivações dos seus funcionários, fazem com que se sintam mais motivados e felizes, para que, dentro desse sentimento de bem estar, consigam produzir mais e melhor”, sublinhou Augusta Veiga Branco. Existem vários autores que defendem que a criatividade do ser humano está mais desenvolvida em indivíduos que se sentem felizes, ou pelo menos com um sentimento de bem estar consigo próprios. Por esse motivo, é dada actualmente alguma importância ao bem estar dos trabalhadores, sobretudo em organizações que dependem mais da qualificação dos seus recursos humanos, e que já concluíram que é a partir do respeito pelas suas motivações, que se consegue maior e mais qualificada produtividade. A PAIDEIA surge, assim, como um esforço conjunto, agregador de curiosos e pesquisadores na matéria de emoções e de Competências Emocionais, no sentido de desenvolver formação e investigação que possa ser utilizada de forma prática para melhorar a qualidade das relações, seja consigo mesmo, seja com aqueles que connosco convivem. Esta Associação Internacional pode ser contactada pelo e-mail paideia.ee@ipb.pt, ou através do seu espaço físico na Escola Superior de Saúde do IPB.

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2 Comentários Feed

Carlos Vilela · escreveu em 20-11-2009 às 15:13:50
Como Membro Honorário desta Associação, congratulo todos os que se dedicam e irão dedicar a esta causa. As competências emocionais são a "pedra basilar" para o sucesso de qualquer Ser Humano - quer pessoal, quer profissionalmente! Cumprimento todos os que já cá estão e os que se irão associar ao desenvolvimento, em Portugal, desta àrea do conhecimento. Em especial, um abraço emocionado à Prof.ª Dr.ª Augusta Veiga Branco - Mentora deste projecto.

Um abraço,
Carlos Vilela


Ana Patricia Gonçalves Martins · escreveu em 18-06-2010 às 15:05:58
Boa Tarde, sou finalista do curso de educação de infancia, pela escoka Maria Ulrich, pretendia saber como ter acesso á formação em educação emocional.
Aguardo a atenção ao assunto, subscrevo-me
Atentamente
Ana Martins
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