. // Quem ganhou as eleições? Por: / Secção: Editorial / 02-10-2009 Imprimir Enviar a um amigo
.Indiscutivelmente, o partido que ganhou as eleições foi o PS. Mas, foi o único que perdeu votos e mandatos. Viu escaparem-se-lhe mais de meio milhão de votos e mais de duas dezenas de deputados. Perdeu também a maioria absoluta que detinha no Parlamento. Por isso, apesar da vitória, o Partido de Sócrates não tem grandes motivos para festejar. Tem por diante uma nova legislatura, em que o animal feroz, ou o lobo vestido de cordeiro, terá de aprender a negociar e a encontrar soluções para o país, em diálogo com os outros partidos do Parlamento, num contexto muito difícil de crise internacional. O PSD, apesar de ter ganho votos e ampliado a sua representação parlamentar, foi o grande derrotado das eleições. Ficou muito aquém das expectativas geradas pela vitória nas Europeias. No início da campanha eleitoral ainda estava ao lado do PS, nas sondagens, mas ao longo dos quinze dias que antecederam as eleições, caiu para mínimos históricos. Com a queda destes dois partidos, o centrão por eles formado esboroou-se e os eleitores rumaram para as franjas do espectro político, seja para a direita seja para a esquerda. O CDS/PP conseguiu uma vitória histórica, ultrapassando os dois dígitos, e é talvez o único partido que venceu em todas as frentes, a não ser o incómodo de ver o parlamento dominado por uma maioria de esquerda. Já o Bloco de Esquerda, que se preparava para uma vitória estrondosa, mesmo tendo sido o partido que mais cresceu e tendo duplicado a sua representação parlamentar, não conseguiu garantir o número de deputados que lhe permitissem atingir a maioria com o PS. Para além disso, a sua vitória ficou ensombrada ao não chegar ao terceiro lugar do Parlamento, que foi ocupado pelo CDS/PP. A CDU também subiu a sua votação e conseguiu mais um deputado, mas viu-se relegada para o último lugar dos partidos com representação parlamentar. Neste contexto, todos perderam e todos ganharam. O grande vencedor destas eleições parece ter sido o Parlamento, que com a configuração política que se desenhou, como resultado das eleições, ocupará o centro da vida política portuguesa e influenciará decisivamente a governação do país. Deixará de ser a câmara de eco do partido do governo e passará a ser o palco de todas as negociações e compromissos que influenciarão o futuro do país. A esperança de todos os portugueses é a de que os representantes por eles eleitos defendam os interesses da nação, possam encontrar soluções para os problemas que afectam o país e garantam a estabilidade governativa, nas circunstâncias, tão adversas, da crise que o mundo atravessa. Já todos nos vamos convencendo de que este Governo terá um período de vigência muito breve, que não ultrapassará os dois anos. Muitos dos protagonistas políticos e analistas deste país já o afirmaram no rescaldo das eleições. O ideal para o país seria que os políticos se despissem das suas preocupações meramente partidárias e se empenhassem na construção de um Portugal melhor, com o contributo do melhor que há em todos os programas eleitorais, que submeteram ao sufrágio dos portugueses. Não será fácil! A recente intervenção do Senhor Presidente da República, não augura nada de bom para o futuro político do país. Às dificuldades de um Governo minoritário, acresce agora uma relação tensa com a Presidência. Por muito que me custe concordar, com uma pessoa como o Alberto João Jardim, parece que ele é que tem razão ao dizer que o país endoidou.

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