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Património // Painel quinhentista identificado em Freixo de Espada à Cinta Por: C.A.G. / Secção: Actual / 18-09-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Direitos Reservados
Associação Cultural Terras Quentes descobriu que a autoria da pintura se deve a António Leitão

A Associação Cultural Terras Quentes descobriu mais uma importante peça de arte sacra: um retábulo quinhentista da segunda metade do século XVI que integra uma singular pintura a óleo, em madeira de carvalho, com a cena do Pentecostes (Descida do Espírito Santo sobre a Virgem e os Apóstolos”. A peça foi encontrada no âmbito do trabalho de inventário de arte sacra para a diocese de Bragança-Miranda, na sacristia da Capela de Santo António, em Freixo de Espada à Cinta. O painel encontrava-se há muito esquecido e em mau estado de conservação, mas a equipa da Associação Cultural, (Lécio da Cruz Leal, Lília Pereira da Silva e Vítor Serrão), conseguiu descobrir a autoria da pintura. Trata-se de António Leitão, nascido em Castelo Bom, por volta de 1530, sobrinho do fidalgo Domingos Leitão, embaixador na Flandres da Infanta D. Maria. António Leitão aperfeiçoou a arte da pintura em Roma e, mais tarde, casou com a também pintora Luzia dos Reis. Os especialistas sabem ainda que, depois de 1571, o pintor viveu em Pinhel, na Guarda, e em Bragança, onde faleceu em data desconhecida. A equipa responsável adianta ainda que é a António Leitão que pertencem pinturas como a grande Visitação da Virgem, na capela de Santa Ana de Cepões, perto de Lamego, e as nove tábuas do antigo retábulo-mor da Igreja Matriz de Vila Nova de Foz Côa. O retábulo quinhentista encontrado na Capela de Santo António, em Freixo de Espada à Cinta, ostenta ainda a sua primitiva estrutura e mostra, a par de especificidades de estilo e cromatismo, uma inesperada largueza de composição. Em torno da figura central da Virgem Maria, ladeada por São João Evangelhista e São Pedro, surgem mais 28 figuras dispostas em vários planos, dentro de um espaço clássico de planta centralizada que se inspira no Panteão de Roma. Esse vasto grupo integra os apóstolos e discípulos de Cristo juntamente com personagens contemporâneas, como sejam os casais de nobres ou duas figurinhas de traje e chapéu orientais. A equipa da Associação Cultural Terras Quentes refere mesmo não conhecer nenhum outro Pentecostes na Arte Portuguesa que inclua tantas figuras e tanta agitação de poses nas cenas complementares. A peça de arte vem assim enriquecer não só o património freixiense como todo o património artístico diocesano. O inventário de arte sacra da diocese de Bragança-Miranda tem sido levado a cabo pela Associação Cultural Terras Quentes ao abrigo de um protocolo firmado em 2006 entre a Diocese, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Universidade Católica do Porto, a autarquia de Macedo de Cavaleiras e outras entidades. Desde então tem sido possível registar, documentar e identificar centenas de peças existentes em igrejas, capelas, ermidas e oratórios dos vários concelhos do distrito de Bragança, a maioria totalmente desconhecidas.

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