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Douro // “União e impacto mundial” Por: Frederico Correia / Secção: Actual / 17-07-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Frederico Correia
António Martinho cumpre seis meses à frente ETD e começam-se a sentir mudanças

Tomou posse da Entidade de Turismo do Douro (ETD) em 26 de Janeiro deste ano, deixando para trás o posto de Governador Civil. Desde então, tem tentado “multiplicar os momentos em que as pessoas sintam vontade de vir ao Douro” e, frontalmente, descarta qualquer tipo de pressão sobre o organismo que preside. “Ninguém pode exigir que se faça, num ano, aquilo que outros não fizeram em décadas.” António Martinho aceitou, em entrevista ao Mensageiro, revelar o que mudou em quase seis meses à frente da ETD. Conhecendo a realidade da instituição, primeiro enquanto Governador Civil de Vila Real e depois como presidente da comissão instaladora, António Martinho chegou à presidência com objectivos concretos. “No Douro havia várias entidades que tinham a seu cargo a promoção deste destino turístico. A dispersão institucional do território, na dependência de entidades ou regiões de turismo diferentes, não potenciava a capacidade deste destino”, lembrou. Por isso, no início de funções, António Martinho definiu como prioridades pôr o sector do turismo a “falar a uma só voz” e equilibrar financeiramente a instituição. “A ETD nasceu da extinção de duas regiões de turismo e de uma junta de turismo, recebendo ainda alguns municípios de uma terceira região de turismo. Com hábitos de trabalho diferente, era fundamental que houvesse mais coesão interna. Quanto às dívidas, eram quase iguais ao montante da transferência de Orçamento de Estado para o primeiro ano. Requeria mais rigor.” Mudou então de instalações, modificou o sistema de comunicações, iniciou uma auditoria, para pôr tudo “preto no branco”, e completou o “trabalho de casa” que já vinha a fazer, sendo um “homem do Douro”. Para António Martinho, era prioritário “agarrar a sério” os três principais produtos turísticos da região. “A riqueza patrimonial, através do turismo cultural, a gastronomia e vinhos e a natureza, deviam ser estruturados para ser oferecidos como produtos atractivos.” Com a necessidade de realçar as potencialidades de uma região com 250 mil hectares, destes, dos quais 40 a 50 mil que são vinha e 24 mil são Património da Humanidade a ETD potenciou então um “plano de actividades que fosse capaz de motivar a integração de algumas candidaturas ao plano de desenvolvimento turístico do Alto Douro”. Assim, foi possível aproveitar os recursos financeiros decorrentes do Quadro de Referência Estratégico Nacional do Plano Operacional – Norte.

Divulgação à medida da grandeza do douro

Neste momento, foram apresentadas candidaturas no valor de cerca de 2,2 milhões de euros para um plano estratégico de marketing. “É fundamental para um destino turístico que se quer afirmar e que precisa de se dar a conhecer para ganhar mais fluxos”, assegurou. Outro dos pontos fulcrais prende-se com a “sinalização” da mais antiga região demarcada do Mundo. “Por incrível que pareça, ainda precisamos de avançar muito em termos de sinalização”, lamentou António Martinho. Ainda em termos infra-estruturais, o presidente a ETD salientou o que disse ser “uma candidatura pioneira”. “Juntamente com os municípios, apresentámos uma candidatura que pretende criar uma imagem comum dos postos de turismo, melhorar a visibilidade e a sinalização, e criar uma rede de comunicação através de um sistema de intranet de maneira a que o turista possa aceder mais facilmente à informação dentro da própria região”, revelou. Segundo António Martinho, é urgente que os postos de turismo se tornem um “suporte fundamental para que o turista possa circular e visitar aquilo que o trouxe ao Douro”. Para mostrar este característico destino, a ETD tem multiplicado presença em “locais de promoção turística”. “Ao estarmos na BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa), no festival da Mascara Ibérica e, em Orense, no Salão Gastronomia, são formas de nos darmos a conhecer num mercado de proximidade.” A ETD prepara agora as bagagens para se fazer representar em Zamora, Vigo e Valladolide.

Taxa de ocupação de 2009 no bom caminho

Ainda sem dados comparativos com 2008, António Martinho vai-se regulando, com as referências enviadas pela Turismo de Portugal, em relação às visitas que a região regista. “Os mapas de Maio mostram que a ocupação na região está a melhorar, assim como o somatório de Janeiro até Maio. É gratificante constatar, sem euforia, que há uma evolução positiva na ocupação e na permanência, porque se a ocupação for boa e os visitantes puderem ficar dois e três dias, tanto melhor. As características do douro com pequenas unidades de alojamento, desde os hotéis rurais ao turismo de habitação, é uma vantagem comparativamente a outras regiões de turismo.” Se, para 2015, na agenda do Calendário Regional do Turismo do Norte está uma meta de 600 mil dormidas por ano, a ETD quer antecipar a data para o biénio de 2012/13. “Devemos ser ambiciosos na captação de visitantes e é por isso que pretendemos criar espaço para que empresas organizem eventos na região e que as câmaras municipais, de uma forma também organizada e em cooperação entre elas e connosco, possam trazer à região pessoas, visitantes”, confidenciou António Martinho.

Eventos à razão do Douro

Apesar de ser pelo “natural” e “tradicional” que este destino melhor se evidência, a ETD tem noção que precisa de eventos com “impacto mundial” para cativar a atenção de novos visitantes. Daí a realização do Primeiro Festival Internacional de Cinema no Douro, “Douro Film Harvest®”, que decorre entre 10 a 13 de Setembro. “É mesmo uma colheita que tivemos de fazer, porque temos de trazer gente do cinema à região e gente que se deixe convencer que a região é muito boa para fazer filmagens”, referiu. Este evento internacional acaba por ser o mote para mostrar como a região tem de trabalhar em conjunto. O festival decorrerá durante três dias e terá como municípios de “projecção”: Vila Real, Lamego e Moncorvo. Outro exemplo é a parceria entre a ETD e a Fundação INATEL que pretende trazer músicos da Orquestra Metropolitana de Lisboa a tocar no Douro. Trabalhar contra o tempo Sem mais “oportunidades a perder”, a região tem de caminhar a passo apressado rumo ao desenvolvimento e aproveitamento das suas potencialidades naturais. Mesmo reconhecendo isso e sendo um dos primeiros a admiti-lo, o presidente da ETD descarta pressões. “À entidade exige-se que seja dinâmica, crie linhas de força, inove e surpreenda o turista, mas precisa da colaboração dos empresários, dos municípios, da Estrutura de Missão do Douro e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte. Não podemos fazer sozinhos aquilo que não foi feito durante décadas. Já houve um Plano Operacional para o Douro, uma Acção Integrada de Base Territorial e já há uma Estrutura de Missão há quatro anos”, lembrou.

Maravilha da Natureza

Na próxima terça-feira, dia 21, os portugueses terão motivos para estar colados ao televisor. No concurso Maravilhas da Natureza, o Vale do Douro entrou na segunda fase, juntamente com mais 76 “maravilhas”. Terça-feira, depois da avaliação de um júri de especialistas, será escolhido o restrito lote de 28 finalistas, dos quais sairão as Sete Maravilhas da Natureza. Até lá, resta roer as unhas e fazer figas para a mais antiga região demarcada do Mundo possa continuar a fazer história.

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