Página Inicial | Quinta-Feira, 29 de Julho de 2010

Igreja // Condestável canonizado Por: Alberto Pais / Secção: Igreja / 24-04-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Alberto Pais
Nuno de Santa Maria, o oitavo Santo português

O Papa Bento XVI canoniza o Beato Nuno de Santa Maria no próximo dia 26 de Abril, em Roma. Este é um motivo de festa para a Igreja em Portugal, incluindo a diocese de Bragança-Miranda, já que tem uma das duas paróquias consagradas ao frade carmelita em todo o mundo, a paróquia de Santo Condestável de Bragança. Esta comunidade, criada em 1981 no episcopado de D. António Rafael, vai estar em sintonia com a cerimónia de canonização durante a eucaristia dominical, do próximo domingo. Um pequeno grupo, com o pároco, desloca-se a Roma, para participar na canoninazação na Praça de S. Pedro. No início de Julho serão solenizadas as habituais festas da Paróquia de S. Condestável, que se iniciarão com uma conferência proferida por D. Carlos Azevedo, que falará sobre S. Nuno de Santa Maria, e culminarão com a Eucaristia presidida por D. António Montes, Bispo de Bragança – Miranda.

O percurso do novo Santo

Nuno de Santa Maria nasceu a 24 de Junho de 1360 em Cernalhe do Bonjardim, actual distrito de Castelo Branco, e esteve ligado a uma das fases mais importantes da História de Portugal. Filho ilegítimo de Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal, Nuno de Santa Maria foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Com treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor. Foi cavaleiro e casou com D. Leonor de Alvim, uma jovem e rica viúva. Desta união nasceram três filhos, mas apenas Beatriz é que sobreviveu. Esta, mais tarde, casou com o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança. Esta relação entre o Condestável e a cidade brigantina foi o ponto essencial para a criação da paróquia de Santo Condestável em Bragança. Nuno de Santa Maria foi nomeado Condestável (comandante supremo do exército) por D. João e conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, inclusive na conhecida batalha de Aljubarrota em 14 de Agosto de 1385. Além destas qualidades, Nuno manifestava um intenso amor pela Eucaristia e pela Virgem Maria. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal tem as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. E construiu, por sua conta, numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha. Depois da morte da esposa, em 1387, recusou contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Distribuiu grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabou por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Dedicou-se a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. Ao entrar no convento este vitorioso Condestável do rei de Portugal recusou todos os privilégios e assumiu como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus. Nuno de Santa Maria morreu no domingo de Páscoa, dia, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser considerado como “santo” pelo povo, o “Santo Condestável”.

Santo Condestável e o Cón. Formigão

O P. Manuel Formigão, primeiro director do Mensageiro, foi um dos impulsionadores para a devoção ao Beato Nuno de Santa Maria. Nos primeiros anos da República em Portugal e com um ambiente claramente anti-clerical, o sacerdote começou a intervir positivamente junto dos estudantes de Santarém, ajudando-os na sua formação, envolvendo-os em actividades apostólicas. Fundou a associação Nun’Ávares, reunindo muitos jovens que tomaram como padroeiro e modelo o «Santo Condestável». O Cón. Formigão baseou-se na vida e percurso de Nuno de Santa Maria para indicar o caminho a seguir e motivar à defesa da Pátria e da Igreja.

O oitavo santo português

O processo de canonização de Nuno de Santa Maria não foi simples. Foi beatificado por Bento XV em 1918, mas o processo de canonização só foi reaberto em 13 de Julho de 2003, nas ruínas do Convento do Carmo em Lisboa. Aliás, a canonização já podia ter decorrido há algum tempo, já que o Papa Pio XII, em 1947, manifestou interesse em canonizar por decreto o Condestável. No entanto, a Igreja portuguesa recusou pelo facto de considerar este feito motivo de festa. A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver enquanto cozinhava e ficou curada depois de pedir intervenção do Santo Condestável. Depois de observada por diversos médicos em Portugal, Guilhermina de Jesus foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa. Com esta canonização, Nuno de Santa Maria é o oitavo santo português depois de Santa Beatriz da Silva, religiosa canonizada por Paulo VI em 3 de Outubro de 1976. Na lista de santos portugueses estão: São Manços, primeiro bispo de Évora – Séc. I; São Víctor de Braga, mártir também do séc. I; São Dâmaso, Papa do séc. IV, provavelmente nascido em Guimarães; São Sisenando, diácono e mártir do séc IX, nascido em Beja; São Rosendo, bispo do séc. X, natural de Santo Tirso; Santa Senhorinha, beneditina do séc. X, de Viera do Minho; Santa Beatriz da Silva e, agora, Santo Condestável.

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